Projeto x Scrum x Futebol

Projeto, Scrum e Futebol, o que eles têm em comum?

Como gosto de futebol é natural que o use como referência para analogias. Mas poderíamos usar outro esporte coletivo para esta comparação (se você não gosta de futebol, não deixe de ler, pense em outro esporte que o agrade e faça as devidas substituições).

Respondendo a pergunta inicial, ambos possuem um objetivo, uma meta a ser atingida, e dependem de pessoas trabalhando juntas, em equipe para conquistá-los.

De forma simplista, o objetivo de um projeto é gerar e entregar algum valor para um cliente, que pode ser através de um software, de um produto e/ou processo. No futebol, em geral o objetivo de um time é ser campeão de um campeonato (claro, que pode haver outros objetivos, como se classificar para a Libertadores, ou não ser rebaixado, por exemplo). E o Scrum, é uma forma de, baseado em princípios e valores, organizar as pessoas para formar equipes focadas em gerar  valor ao cliente de forma produtiva.

Partida e Iteração

Em um campeonato, cada partida pode ser comparada a uma iteração ou sprint, que ao final deve gerar algum valor. No caso do futebol, pode ser 3 pontos para subir na tabela, e a soma destes pontos “entregues” vai contribuir para chegar ao objetivo final: ser campeão e agradar a torcida, patrocinadores e dirigentes.

Há iterações que a equipe não consegue ir bem e entregar o valor planejado. No caso do futebol ela perde a partida e deixa de somar pontos na tabela, mas no mínimo é uma oportunidade de aprender com os erros para corrigi-los para as próximas “partidas”.

Equipe

Formar uma boa equipe de trabalho em projeto não é tão simples. Tecnologia, processos e ferramentas se estuda, se aprende e se aplica. No entanto, pessoas é sempre o aspecto mais delicado, essencial e desafiador. Pessoas são diferentes, possuem pensamentos e expectativas diferentes.

Ter pessoas com grandes habilidades técnicas não é garantia de sucesso. É necessário criar um senso de “time”, em que as pessoas cooperam, se comprometem, são unidas e motivadas. E encontrar este equilíbrio não é fácil.

Em um exemplo recente, a seleção brasileira de futebol vinha, desde a Copa do Mundo de 2014 tendo maus resultados e apresentando um mau futebol. Mudaram a comissão técnica, e provavelmente esta mudou a forma de condução, e praticamente com os mesmos jogadores a equipe passou a jogar bem e está com 100% de aproveitamento (até o momento, 31/12/2016).

Em um outro exemplo. Frequentemente quando jogo futebol entre amigos (a famosa “pelada”) e tenho a oportunidade de separar os jogadores dos dois times, costumo selecionar para um time “os craques” e para o outro os “normais” (fico com os normais). No início da partida reclamam por ter selecionado um time forte e outro fraco, mas ao final na maioria das vezes, o time que sai vencedor é o mais fraco. Não quero ser absolutista com este exemplo, pois ha exceções, mas normalmente “os craques” enfeitam muito as jogadas e não gostam de passar a bola, são fominhas. Logo, possuem dificuldade de jogar como time. Um reclama do outro, e quando recebem a bola tendem a ficar ainda mais individualistas, já que o outro também não passa. Enquanto o outro time de jogadores normais, que sabem de suas limitações, estes tendem a jogar simples, passam a bola, ajudam mais um ao outro, e não reclamam tanto. Já fiz estas experiência diversas vezes. Ao final, meus amigos se surpreendem com o fato do time mais fraco ter vencido. Eu não.

Equipe Multidisciplinar (habilidades)

Uma equipe multidisciplinar significa que no time há todas as habilidades necessárias para gerar o valor da iteração ou do projeto. O time não depende de habilidades que estão fora da equipe.

No Guia Scrum, diz “Individualmente os integrantes do Time de Desenvolvimento podem ter habilidades especializadas e área de especialização, mas a responsabilidade pertence ao Time de Desenvolvimento como um todo“. Logo, ainda que o time possua pessoas com perfis e habilidades diferente e específicas, como, desenvolvedor, analista, testador ou outra, ainda assim é um time com responsabilidade compartilhada na vitória e na derrota.

É comum, infelizmente, pessoas com uma especialidade não querer ajudar em tarefas de outra especialidade para ajudar o time como um todo. Exemplo, um testador não querer ajudar na análise ou documentação. Atitudes como esta, do tipo, eu fiz a minha parte, agora se vira na tua, fragilizam o time.

Em comparação com o futebol, em um time, embora todos sejam jogadores, e possuam o objetivo comum de fazer gols,  há também diversas habilidades e especialidades: goleiro, zagueiro, lateral, volante, atacante, dentre outras. A função principal do goleiro e do zagueiro em um time é evitar que o time adversário faça gols, no entanto, estes podem e devem também fazer gols quando tiverem a oportunidade. Da mesma forma que a função principal de um atacante é fazer gols, o mesmo pode e deve também desarmar jogadas do time adversário sempre que tiver oportunidade.

Técnico (Coach) e Scrum Master

No guia Scrum diz:  “Times auto-organizáveis escolhem qual a melhor forma para completarem seu trabalho, em vez de serem dirigidos por outros de fora do Time“. Mas ao mesmo tempo, há a figura do Scrum Master. Já vivi situações, em contextos que o time amadureceu tanto, inclusive no uso do Scrum, que cheguei a me perguntar se o mesmo precisava da figura de um Scrum Master.

Creio que uma função importante do Scrum Master é moderar as pessoas, lidar com as diferenças, conflitos e ajudar o time a não perder o foco, ter disciplina.

Um time por mais habilidoso e eficiente que seja, precisa de alguém que ajude a dar direção e moderar conflitos, que consiga convergir todos para trabalharem cooperativamente.

Voltando ao exemplo do futebol, e novamente falando do caso da seleção brasileira, a mudança de comando fez diferença. Os jogadores eram os mesmos. Por mais que os jogadores saibam cada um a sua função e tenham suas habilidades, uma referência externa, o treinador (coach no inglês) faz essa função de suma importância.

Já joguei torneios de futebol em que não tínhamos treinador, e por isso, havia muitos conflitos por questões como quem seria titular, quem faria a função de zagueiro, ou volante ou atacante. Quem entraria ao longo da partida e quem sairia. Dentro de campo o treinador não joga, são os jogadores que fazem as jogadas, fazem gols e perdem gols. Entretanto o treinador auxilia na organização deste time.

O Scrum Master pode, muitas vezes, também cooperar semelhantemente na harmonização de um time, usando diversas técnicas, ferramentas, princípios, práticas, influência. Talvez o nome Coach para Scrum Master seria o mais adequado.

Agora, abordando outro aspecto. Pensando em esportes individuais, por que atletas de alto padrão possuem um treinador (coach)? O treinador do melhor tenista do mundo joga melhor que o tenista? Certamente não, pode até ter jogado no passado. Certamente o treinador colabora com a disciplina, com uma visão exterior que ajuda o atleta a ver pontos de melhoria, que talvez sozinho teria dificuldade de enxergar ou aprimorar.

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